quinta-feira, 28 de outubro de 2010

A AOESP É FORTE PORQUE TEM DIRETORIA FORTE


Nos ultimos tempos muita gente pergunta sobre a nobreza de alma dos que compõem a Associação dos Ostomizados do Estado de São Paulo e como consegue sobreviver as muitas dificuldades que quase todas as associações passam, incluindo a propria AOESP. Entre tantas dificuldades tais como problema financeiro, crise da falta de bolsas, associados, amigos, colegas e até diretores que se sobressaltam com doenças, ainda assim a popularidade da entidade cresce com o correr do tempo recebendo aplausos de todos os recantos do Brasil. A minha opiniao para tudo isso é porque a sua diretoria é composta de pessoas realmente merecedoras de aplausos e hoje pretendo apresentar uma modesta heroina, uma senhora baiana de nascença mas que vive aqui em São Paulo e conta atualmente 74 anos de idade (foto). O nome dela é Vitoria Rosa, mais conhecida simplesmente como Vivi. Pois bem a Vivi está ostomizada há 26 anos e o autor da cirurgia foi o Dr. Eolo Morandi, colega coloproctor de Paulo Piratininga Jatobá, O Dr. Morandi foi lembrado por ocasião da homenagem que prestamos ao doutor Jatobá, mas como ele havia mudado de endereço não conseguimos localizá-lo até hoje apesar dos esforços da Maria de Ribamar que tinha o numero do telefone dele, mas faltando o ultimo algarismo do telefone e daí nada deu certo. A Vivi desde que foi operada e cadastrada no PAM Varzea do Carmo não mais se afastou do local e nem da Associação. Como familia ela tem sete filhos vivos, 25 netos e 17 bisnetos, todos morando aqui em São Paulo. Ela é viuva e toda semana, as terças-feiras, ela se encontra na sala da Associação. Até aqui, embora os 26 anos de ostomia seja um marco bastante longo, mas ela perde para nossa vice-presidente atualmente, a Sandra, que já completa 40 anos de ostomia.
A Vivi, neste mes de outubro recolheu 140 kg aproximadamente de roupas usadas perfazendo nove malas cheias e com uma passagem de onibus levou as roupas para a cidade de Vitoria da Conquista, Bahia, cuja viagem durou exatamente 24 horas e mais uma hora de caminhão até chegar no lugarejo chamado Fazenda Limeira. O povo baiano desse lugar vem recepcioná-la trazendo um caminhão porque sabem que vão ganhar roupas para o trabalho na roça. Uma mulher querida como ela todo mundo pretende ser a anfitriã, mas a Vivi consegue contentar a todos. A pergunta que fizemos a ela foi: como é que ela consegue viajar, sozinha, com 140 kg de roupas na bagagem do onibus, sem comer nada, absolutamente nada, a não ser alguns goles de café puro, durante praticamente vinte e cinco horas de viagem, isso incluindo a volta. Ela nos respondeu que antes de viajar já não come nada, faz a irrigação que consiste em limpar inteiramente os sete metros do intestino para não ter que buscar o banheiro para lavagem da bolsa, de tal forma que, quando chega ao seu destino a bolsa por incrivel que pareça está vazia.
Ela doa, dá de graça, não cobra um centavo sobre as roupas usadas que leva. E esse tipo de viagem ela repete no minimo uma vez por ano. Antes as companhias de onibus nada cobravam sobre a bagagem em excesso, mas agora ela tem que pagar, mas também é a unica despesa porque por ser idosa a sua passagem sai de graça.
Ela compõe a diretoria da Associação dos Ostomizados do Estado de São Paulo. Ela acompanha a entidade já durante 26 anos e conhece todos os presidentes que passaram pela entidade porque quando ela se enscreveu como associada a entidade tinha apenas quatro anos de historia. O polo distribuia saquinhos de plastico horriveis, cujo odor espalhava pela casa toda porque não existia ainda bolsas importadas. Ela foi operada em junho de 1983, logo após o falecimento do marido, cujo obito aconteceu em maio desse mesmo ano. Como todos sabem a salvação foi a vinda da Hollister que trouxe a bolsa de karaya.

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